METODOLOGIA CIENTÍFICA
Revisão integrativa, sistemática e narrativa: qual a diferença?
Ao iniciar um TCC, artigo ou projeto de pesquisa, uma dúvida aparece com frequência: qual tipo de revisão de literatura devo utilizar?
Revisão integrativa, revisão sistemática e revisão narrativa não são apenas nomes diferentes para a mesma coisa. Cada abordagem possui objetivos, características e níveis de estruturação próprios.
Entender essas diferenças é essencial para escolher um método coerente com a pergunta de pesquisa.
Revisão integrativa
A revisão integrativa busca produzir uma compreensão abrangente sobre determinado fenômeno e possui uma característica particularmente interessante para áreas como a Enfermagem: pode incorporar evidências provenientes de diferentes desenhos metodológicos.
Ela pode reunir estudos experimentais e não experimentais e, dependendo do propósito e do referencial metodológico adotado, também integrar literatura teórica.
Por isso, pode ser útil quando o pesquisador precisa compreender um problema complexo sob diferentes perspectivas.
Seu desenvolvimento exige organização metodológica, incluindo definição do problema, busca da literatura, avaliação dos estudos, análise dos dados e apresentação dos resultados (Whittemore e Knafl, 2005).
Pode ser adequada quando: o objetivo é integrar conhecimentos provenientes de diferentes tipos de estudos para compreender determinado fenômeno.
Revisão sistemática
A revisão sistemática é desenvolvida para responder a uma pergunta de pesquisa claramente definida utilizando métodos previamente estabelecidos e transparentes para localizar, selecionar, avaliar e sintetizar as evidências disponíveis.
A estratégia de busca, os critérios de elegibilidade e os procedimentos de análise precisam ser explicitados de forma que o processo seja compreensível e, tanto quanto possível, reproduzível.
Dependendo da pergunta e dos dados encontrados, uma revisão sistemática também pode incluir uma meta-análise. Entretanto, revisão sistemática e meta-análise não são sinônimos.
Pode ser adequada quando: existe uma pergunta específica que exige uma síntese sistemática das evidências disponíveis. Revisões sistemáticas também podem sintetizar estudos qualitativos ou de métodos mistos; a diversidade de desenhos, isoladamente, não define uma revisão como integrativa.
Revisão narrativa
A revisão narrativa possui maior flexibilidade.
Ela é utilizada para apresentar e discutir determinado tema, conceito ou campo de conhecimento a partir da literatura selecionada pelo autor.
Essa flexibilidade pode ser útil para contextualizações amplas, discussões conceituais e construção de perspectivas teóricas.
Entretanto, quando comparada a métodos estruturados de revisão, geralmente apresenta menor padronização na busca e seleção dos estudos. Por isso, os critérios utilizados pelo autor precisam ser apresentados com clareza sempre que possível.
Flexibilidade não dispensa rigor: objetivos claros, descrição da busca, referências adequadas e argumentação científica são aspectos contemplados pela escala SANRA (Baethge, Goldbeck-Wood e Mertens, 2019).
Pode ser adequada quando: o objetivo é desenvolver uma discussão ampla, contextual ou teórica sobre determinado assunto.
Afinal, qual revisão escolher?
A resposta não deve começar pelo método. Deve começar pela pergunta de pesquisa.
Se você precisa integrar diferentes tipos de evidências para compreender um fenômeno, uma revisão integrativa pode ser apropriada.
Se existe uma pergunta específica que demanda identificação e síntese sistemática das evidências disponíveis, uma revisão sistemática pode ser mais coerente.
Se o objetivo é construir uma discussão ampla ou contextual sobre determinado tema, uma revisão narrativa pode atender melhor à proposta.
Portanto, não existe simplesmente uma revisão “melhor”. Existe aquela que apresenta maior coerência com o problema, a pergunta e o objetivo da pesquisa. Considere também o referencial metodológico, os recursos e as exigências da instituição ou do periódico.
E onde entra o PRISMA?
Esse ponto merece atenção.
O PRISMA 2020 é uma diretriz para melhorar a transparência do relato de revisões sistemáticas, principalmente aquelas que avaliam efeitos de intervenções. Ele apresenta checklist e fluxogramas para documentar aspectos como identificação, seleção e inclusão dos estudos.
Portanto, utilizar um fluxograma semelhante ao PRISMA não transforma automaticamente uma revisão integrativa ou narrativa em revisão sistemática.
O método da pesquisa precisa ser definido pelo desenho adotado — não apenas pelo formato utilizado para apresentar a seleção dos artigos.
Escolha o método antes de começar a pesquisar
Um erro comum é selecionar dezenas de artigos primeiro e decidir depois qual revisão será realizada.
Buscas exploratórias iniciais podem ajudar a delimitar a pergunta. Para a busca e a seleção formais da revisão, porém, o caminho metodologicamente mais consistente é: problema → pergunta de pesquisa → objetivo → tipo de revisão → estratégia de busca → seleção → avaliação crítica → análise → síntese.
Essa sequência reduz inconsistências e facilita a construção da metodologia.
Referências e fontes
- Whittemore, R.; Knafl, K. The integrative review: updated methodology. Journal of Advanced Nursing, 52(5), 546–553, 2005.
- PRISMA. PRISMA 2020 statement: diretriz, checklist e fluxogramas oficiais.
- Baethge, C.; Goldbeck-Wood, S.; Mertens, S. SANRA—a scale for the quality assessment of narrative review articles. Research Integrity and Peer Review, 4, 5, 2019.